Segundo o “New York Times”, o ex-mafioso Gaetano Grado informou no ano passado que, dias depois do furto de “Natal com São Francisco de Assis e São Lourenço”, ele próprio rastreou os responsáveis, sob ordens do mafioso Gaetano Badalamenti.
De acordo com o informante, o próprio Badalamenti — preso em 1984, em seguida condenado a 45 anos por traficar mais de 1,6 bilhão de dólares em heroína para os EUA e morto em 2004 — adquiriu a pintura, repassando-a a um negociante de arte suíço.
Grado disse que este “se sentou e chorou a não poder mais” quando viu a imagem, a ponto de o mafioso começar a pensar que “era alguém muito estúpido”. Em seguida, o esteta teria afirmado que, para vender a obra, precisaria retalhá-la em vários pedaços.
Segundo Bindi afirmou ao “Palermo Today”, o roubo foi obra de criminosos comuns apoiados por especialistas. Uma vez roubada, contudo, a pintura teria acabado nas mãos da Cosa Nostra: primeiro nas do todo-poderoso Stefano Bontade, em seguida nas de Gaetano Badalamenti. Ela acrescentou que “Badalamenti não compreendeu a beleza da obra. Ele entendeu, contudo, o quanto ela valia em termos econômicos”.
Ao “The Guardian”, Bindi disse: “Temos um número suficiente de evidências para lançar uma nova investigação. Pedimos a colaboração de autoridades estrangeiras, especialmente das suíças. Esperamos trazer o quadro de volta à sua casa, em Palermo”.
O destino do quadro — também conhecido por “A adoração”, cuja data de pintura varia entre 1600 e 1609, a depender do historiador — é um dos grandes mistérios do mundo da arte. Na década de 1960, todos os principais crimes que aconteciam em Palermo tinham o toque da Máfia. A investigação, naturalmente, concentrou-se na possibilidade de envolvimento do crime organizado.
Ao longo dos anos, diversas teorias foram criadas, a partir de depoimentos de suspeitos. Um deles disse que o quadro se perdeu em um incêndio. Outro, que foi abandonado e devorado por ratos. Hipóteses alternativas especularam ainda que o quadro estivesse escondido e só fosse mostrado durante encontros secretos dos chefões do crime organizado. Outra lenda urbana diz que um deles o usava como tapete.
No livro “The Caravaggio conspiracy” (1984), o jornalista inglês Peter Watson conta sua aventura ao lado de Rodolfo Sievero em busca do quadro perdido. Ele diz que um traficante de arte chegou a oferecê-lo a venda da pintura, mas um terremoto no dia 23 de novembro de 1980 impediu a transação.
Em 2015, uma réplica criada por uma laboratório de restauração digital substituiu a pintura na capela. O resultado da investigação de Bindi será entregue ao Ministério Público de Palermo.
Fonte: http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2018/06/05/caravaggio-roubado-pode-estar-na-suica/
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